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BRUXARIA
E PSICANÁLISE
“tudo se
resumia a substituir o demônio por uma fórmula
psicológica” (Freud)
“Fliess, o
que é que você diria se eu contasse que toda a minha
nova teoria da histeria era conhecida e tinha sido
publicada centenas de vezes, e há vários séculos? Você
se lembra como eu sempre disse que a teoria medieval da
possessão demoníaca, sustentada pelos tribunais
eclesiásticos, era idêntica à nossa teoria de um corpo
estranho e de uma divisão na consciência. tudo se
resumia a substituir o demônio por uma fórmula
psicológica?”[1]
Data e Assinatura; Viena, 17 de janeiro de 1897,
Sigmund Schlommo Freud
“O Malleus
Maleficarum poderia servir como um excelente manual
moderno de Psiquiatria clínica descritiva desde que a
palavra feiticeira fosse substituída pela palavra
paciente “ Gregory Zilboorg
Levamos a
sério a declaração do próprio Freud de que a Psicanálise
é apenas a bruxaria revisada semanticamente “bastando
substituir o demônio por uma fórmula psicológica”.
Penetramos no mundo da BRUXARIA & DA PSICANÁLISE,
fazendo uma série de simulações. Escolhemos vários
textos da Bruxaria substituindo a palavra possessa por
histérica e íncubo por id, distribuindo esse material
para o pessoal da área psi e perguntávamos: a que obra
de Freud esse trecho pertence. Significativo número de
pessoas enfatizava que o trecho pertencia a essa ou
aquela obra de Freud. Fazendo a prova reversa,
tomávamos alguns trechos de Freud substituindo histérica
por possessa e inconsciente ou id por íncubo.
Perguntando ao pessoal ligado ao esoterismo sobre a
fonte do trecho, um universo significativo atribuía a
fonte a várias obras congêneres do Malleus Maleficarum.
A seguir
apresentamos um resumo de 31 conceitos da Bruxaria que
permaneceram na Psicanálise, bastando para tanto seguir
a orientação do Mestre Freud e fazer o que ele mandou
fazer: substituir os termos demogênicos pelos termos
psicanalíticos.
|
BRUXARIA |
PSICANÁLISE |
|
energia invasora tudo
explica |
invasor tudo explica |
|
energia invasora
chama-se íncubo |
invasor chama-se id |
|
Sprenger tudo explica
pelo íncubo |
Freud tudo explica
pelo id |
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íncubo penetra na
cabeça pelo útero |
id age na psique pela
libido sexual |
|
penetração do íncubo
produz sonho |
irrupção do id produz
sonho |
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mulher dominada por
íncubo é possessa |
mulher dominada por
id é histérica |
|
pactuação é acordo de
paz entre bruxa e íncubo |
neurose é acordo de
paz entre histérica e id |
|
ao penetrar, o íncubo
deixa rastros ocultos na mente e disfarces no corpo |
investidas do id
deixam sintomas ocultos mentais ou somatizados |
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a vontade do íncubo
comanda a bruxa nos os testes de desenhos
|
a vontade do id
comanda a vítima durante testes projetivos |
|
sábios enxergam
rastros disfarçados do íncubo nos desenhos |
sábios enxergam
rastros do id disfarçados nos testes projetivos |
|
nos psicotestes o
daimon comanda os movimentos da bruxa |
nos testes o id
comanda os movimentos da vítima |
|
íncubo exige crianças
para os festins de sabbat |
id exige crianças
para os festins edipianos |
|
psicotestes revelam
crianças vocacionadas para os sabbats |
toda criança nasce
para festins edipianos |
|
qualquer ingerência
externa de potentados é vedada. só iniciados
entendem a natureza da bruxaria |
psicanálise não se
presta à polêmicas; só quem foi analisado entende as
aventuras do id |
|
o diabo invasor não
pode ser morto, apenas removido para outro lugar |
o id invasor não pode
ser aniquilado, apenas apaziguado |
|
diabos exorcizados
retornam à noite, penetram pelo útero e produzem
fantasias |
id inconformado com
repressões produz fantasias, fazendo a imaginação
refém |
|
crimes de rapto e
estupro de crianças são abonados pela bruxaria, com
o álibi de que o marmanjo fez tudo contra a vontade,
coagido pelo diabo |
estupros são
minimizados pela farsa edipiana que lançou a
suspeita da co-autoria infantil, diminuindo a culpa
do marmanjo com o álibi do inconsciente |
|
criança ofertada ao
diabo em sinal de sujeição não pode levar uma vida
santa |
criança com Édipo não
resolvido não pode levar uma vida sadia |
|
todos são suspeitos
de ter marcas do íncubo, até prova em contrário |
todos são suspeitos
de ter marcas do id, até prova contrária |
|
só os sábios em
desenhos assumidos têm know-how para confirmar ou
não o estigma desta suspeita universal |
só os sábios em
projeção têm know-how para confirmar ou não o
estigma dessa suspeita universal |
|
todas as desgraças,
como granizo e raios, são ocasionadas por íncubos
através das bruxas. Identificá-las e queimá-las é
para o bem-estar coletivo e da própria bruxa |
todas as desgraças
profissionais ou do trânsito são geradas pelo id
via psicóticos. Identificá-los e puni-los com a
privação de direitos civis é para bem deles e de
todos |
|
crianças
psicodiagnosticadas para festins sabatianos são
barradas no reino do céu e atrasam o juízo final |
crianças com Édipo
não resolvido são barradas no reino da saúde mental
e atrasam o objetivo final que é analisar todo mundo |
|
bruxas oferecem seus
filhos ao diabo na hora do parto |
a construção do
cavernícola começa com o trauma do nascimento |
|
para alimentar o
insaciável desejo copulador, diabos raptam órgãos
sexuais escondendo-os na fantasia. A imaginação
entupida de pênis e úteros é o grande combustível
infernal que movimenta a raça humana |
violento desejo de
transar é o combustível da raça humana,
transformando falo e útero na força mágica que tudo
explica e tudo comanda, aquartelada no território
capturado da imaginação |
|
com a faloteca
imaginária entupida, diabos armazenam os falos em
árvores. Testes revelavam até dezenas deles
escondidos em ninhos no alto das copas |
para aferir a pressão
do id contra a imaginação, Koch criou o teste da
árvore, o alcagüete das marcas fálicas na imaginação
passiva |
|
a imaginação é o
armazém geral e o refúgio do diabo |
a imaginação é o
armazém geral e o refúgio do id |
|
o homem enfeitiçado é
ferido na imaginação |
o homem insano é
ferido na imaginação |
|
o diabo tortura os
refratários em festins sabatianos deixando que eles
falem palavras, sem saber o que dizem |
id tortura o
repressor do desejo copulador, fingindo-se
significado, donde controla a fala, escondido no
significante |
|
a forma de certas
palavras denuncia pacto oculto com o íncubo |
a forma dos lapsos de
memória denuncia pacto oculto com o id |
|
há vítimas do diabo
afetadas só no u corpo, outras só na imaginação e
outras na imaginação e no corpo |
há vítimas do id
afetadas só com somatizações larvadas, outras com
fantasia projetiva e outras com psicossomatopatias |
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