|
informe
científico Prof.
Jacob Bettoni
A
maneira mais simples de reduzir uma pessoa a uma coisa é abatê-la a tiros.
Como tal método é repudiado, a psicologia mecanicista assassina os seres
humanos que estuda, Mc Leod
PREÂMBULO:
no mundo ocidental se trava uma verdadeira
batalha pela conquista da nossa mente. Uma das armas mais letais e eficazes
usadas nessa guerra é a arma da manipulação e do patrulhamento do pensamento
imitando camaleão: a arma assume a cor que a vítima mais gosta. Quando a
vítima está no território da ciência, o patrulhamento mental se mascara de
teoria ou práxis científica, como no episódio das gêmeas transferência &
resistência inconscientes. Mas a mesma dupla se dissimulava de teoria
demogênica quando a vítima se encontrava no território da bruxaria. É
preciso abrir os olhos e exercer contínua vigilância intelectual, para não
gastarmos toda a nossa existência, tempo e talento reverenciando a
psicocracia.
INTRODUÇÃO:
As teorias da transferência e da resistência inconscientes
são ícones do PPP. Como é amplamente sabido, as teorias vinculadas ao
paradigma do PPP, estudam recorrentemente o psiquismo típico de defuntos
psicológicos, que seriam permanentes máquinas deterministas vítimas da sua
maior riqueza, vítimas do próprio pensamento que, estrategicamente deveria
ser inconsciente. Aliás, a dupla resistência e transferência só sobrevive
dentro do modelo do inconsciente. Essa dupla torna-se incompatível no
modelo de sistema criador. Inconsciente está para determinismo fragmentário
assim como criador está para intencional sistêmico. Perceba que estamos
presenciando um choque civilizatório da revolução paradigmática
noergológica.
INCONSCIENTE, A MÁQUINA DO
FRAGMENTARISMO DETERMINISTA: Assim é que na resistência e transferência
a pessoa apresentaria pensamentos e comportamentos fabricados previamente,
fabricados no passado e apenas exumados no aqui e agora, que serão a
sempiterna repetição do sempre idêntico na abusiva arqueologia do presente.
Essa fatalidade inconsciente estaria fora do alcance do sujeito e do comando
do momento presente.
O agora seria uma ficção, uma
eterna exumação, um recorrente xérox cujo original seria o axioma do
fragmentarismo determinista, o qual sempre comandaria o momento atual lá de
um passado engessado, que sobreviveu ao enterro organizado pela teoria da
Relatividade. Isso é o protótipo do boneco determinista. É sempre com
artifícios semelhantes; é sempre bebendo da sempiterna mesma fonte
fragmentarista e determinista que o PPP seqüestra a intencionalidade do
sujeito, na tentativa de reduzir as estratégias e táticas políticas
intencionais típicas da polimorfa microfísica do poder interpessoal e
presentes em qualquer relacionamento humano.
McLeod também enxerga esse
aniquilamento do sujeito promovido por teorias e práxis do PPP; também
estranha a falta de insubordinação do cavernícola, tanto quanto nota a
ainda pequena insurreição do olimpiano, resumindo sua perplexidade na
citação capitular.
A POLÍCIA SECRETA DO
PATRULHAMENTO DO PENSAMENTO: O artifício de patrulhamento do pensamento
condensado nos semantemas TRANSFERÊNCIA & RESISTÊNCIA vem sendo utilizado
como técnica de domínio e manipulação de pessoas desde o paradigma mágico,
fortalecendo-se no paradigma religioso; ampliado pela escolástica;
consagrado como a mais terrível e eficaz técnica de condenação da bruxaria;
reabastecido pelos teóricos do inconsciente que floresceram nos séculos XVII
e XIX e finalmente plagiado pela psicanálise. Em síntese, os ingredientes
necessários para a criação e sustentabilidade das teorias gêmeas da
transferência e resistência são: a) o seqüestro da consciente
intencionalidade;
b) o cordão umbilical do axioma do fragmentarismo determinista inconsciente.
Deparamo-nos assim com uma
situação delicada tanto para a sociedade quanto e sobretudo para qualquer
profissional que se utilize de forma explícita ou implícita dessa dupla. E
veja por que: O homem do século XX aprendeu com a História – mestra da vida
– que as maiores brutalidades praticadas contra a dignidade humana, sempre
usaram como escudo protetor a dupla transferência-resistência
inconscientes.
BRUXARIA, O APOGEU DA
RESISTÊNCIA E DA TRANSFERÊNCIA INCONSCIENTES: Todas as sessões de
torturas da “sagrada (?) inquisição” baseavam-se na resistência tão bem
descrita pelo também Doutor Henrich Kraemer: era sempre o incubo
(inconsciente) que comandava a obstrução sistemática aos interrogatórios;
era sempre a resistência provocada pelo incubo que capitaneava a negação
confessionária. Era apenas e tão somente esse artifício capcioso – o
artifício da resistência inconsciente – que autorizava aos profissionais da
inquisição o uso de todos os tipos de tortura. A tortura destinava-se a
vencer a resistência imposta pelo incubo à bruxa contra a vontade da dita
cuja. A tortura quebraria a resistência e terminaria obtendo a confissão,
isto é, uma declaração da bruxa dizendo exatamente que aquilo que o
inquisidor achava que ela deveria ter pensando e estaria ocultando, era de
fato verdade, tanto que ela mesma finalmente agora concordava e assinava seu
termo de confissão de culpa de bruxaria..
Afinal, a bruxaria era uma
legislação tão justa: a acusação de bruxaria dava pena de morte. Mas a pena
de morte do corpo só poderia ser posterior à pena de morte da imaginação. E
a pena de morte da imaginação era obtida ou através de psicotestes
projetivos
ou através da confissão de culpa. Nesse detalhe, o único diferencial entre a
resistência bruxárica e a psicoterápica é a ausência da tortura física. Mas
o ritual da suspeita em nada mudou, segundo o Psiquiatra Thomaz Szasz:
(...)a semelhança
fundamental entre os psicodiagnósticos da bruxaria e os de hoje é que nos
dois existe burla contra a vítima e mentira ao público(...).[4]
A desumanização da
vítima é a mesma. Ou como diziam os romanos: nomina mutantur, numina manent.
É desse posto de observação que o THOMAZ SZASZ reafirma: Freud
tenta legitimar suas metáforas ao supor que elas constituem parte da
linguagem da ciência, quando na realidade isso não acontece: é a feitiçaria
que se transformou em psicopatologia.
TRANSFERÊNCIA TAMBÉM É UM
CONCEITO MILENAR: O conceito de transferência nasceu da crença de que a
doença era provocada por um invasor desconhecido (inconsciente, id, incubo)
e indestrutível e a cura pela expulsão do invasor, sistema magnificamente
muito bem encarnado na teoria psicanalítica, cujo objetivo é descobrir as
pegadas deixadas pelo invasor, chegar até a sua toca, não para matá-lo mas
simplesmente para transferi-lo para um desfecho negociado com o invasor. É
injusto dizer que Freud não estudou História
Igualmente na teoria primitiva,
toda a cura consistiria na mesma façanha de expulsar, de cuspir para fora
(catarse), isto é, de TRANSFERIR o invasor para outra pessoa, para um objeto
e especialmente para um animal. E ao contrário do que comumente pensamos, o
psicanalista não é pioneiro nessa tarefa. O mais clássico catalisador de
transferência ficou famoso como o símbolo da medicina: a serpente de
Esculápio. E a transferência ficou tão famosa que muitas correntes
psicoterápicas a adotaram por comodidade: afinal, no mercado persa de
crendices que atulha o PPP, a transferência estava lá Prêt-à-porter e por
uma verdadeira pechincha, já que os consumidores dessa antiga superstição
ainda são abundantes.
Esse conceito de sujeito passivo
que pode regurgitar resistência e arrotar transferência inconscientes não é
nenhuma invenção do paradigma do passivismo psíquico, do PPP – o paradigma
que ainda hoje comanda a Psicologia vigente. Nada disso: esse conceito é
muito mais primitivo, é oriundo do paradigma mágico. O mito da transferência
também foi reabastecido na bruxaria. Se você tiver curiosidade nesse tema,
consulte 34 conceitos básicos da Bruxaria que foram plagiados pela
psicanálise.
Você pode também fazer o
contrário: vá direito ao Malleus Maleficarum, substitua incubo por ID e
posessa por histérica e você verá o avant première da psicanálise escrita em
1486.
Lá também você conhecerá quão
asquerosos são os relatos dos monges inquisidores tarados examinando
apetitosas mulheres jovens inteiramente peladas, condição prévia para
diminuir a resistência, mas que paradoxalmente aumentava a transferência.
Esses relatos escabrosos dos homens inquisidores vestidos de monges dão
conta de que, o enorme tesão sexual despertado por bruxas nuas - que já
tinham fama de serem sexualmente insaciáveis transando com fogosos íncubos –
as quais estariam transferindo para eles o tesão delas e com esse artifício
da transferência esses bárbaros inquisidores ordenavam sessões de torturas
nas bruxas, esperando com isso diminuir a transferência do tesão delas para
os seus corpos pululando de testosterona.
RESISTÊNCIA E TRANSFERÊNCIA
INCONSCIENTES CONFLITAM COM DIREITOS HUMANOS: No século XX, a humanidade
criou a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, estipulando já no seu
artigo 1º que “todo homem é dotado de razão e consciência”, direito esse que
é afrontado pela remanescência das figuras medievais da resistência e da
transferência inconscientes.
QUEM PAGA O PATO DA
RESISTÊNCIA E DA TRANSFERÊNCIA É O CLIENTE, MAS ATÉ QUANDO? Mas não é
só: artifícios conhecidos como transferência & resistência inconscientes são
lesivos também ao código de defesa do consumidor, já que – à luz de qualquer
olhar lúcido – são flagradas como artifício através do qual o profissional,
numa estratégia semântica, consegue atribuir a culpa da sua incompetência ao
cliente pagante. Essa mordomia não é desfrutada hoje por nenhuma outra
categoria profissional. Impressionante é como essa manobra continua
utilizada apesar de já ter sido denunciada há quase meio século pelo
psicólogo Emílio Myra Y Lopes:
(...)goza os seus efeitos e
desculpa-se impunemente pelos seus fracassos(...).[6]
Analisemos, agora, o segundo
cordão umbilical que mantém ainda viva as gêmeas transferência &
resistência: o axioma do fragmentarismo determinista, que a contemporânea
visão sistêmica e holística aposentou em todos os ramos do conhecimento; que
não é usada nem mais por encanadores ou pedreiros, mas estranhamente
continua usada por profissionais que lidam com o Ser Humano.
Lógico que o vetusto
observador olimpiano do PPP é um fator facilitador da sobrevida dessa dupla.
Esse observador olimpiano imagina gozar do privilégio da imunidade
científica, em decorrência de cuja cegueira perceptiva o olimpiano sempre
produz o que diz provar, como nos
exemplos clássicos de Fernel e Freud.
Fernel excita a mulher jovem com
suas mãos másculas nas genitais desnudas de lindas mulheres jovens. Ele
dizia que estava apenas fazendo um procedimento clínico: com neutralidade
científica, estou constatando a subida desenfreada do útero por debaixo do
umbigo. E apresentava como prova da sua tese exatamente os movimentos
femininos típicos do tesão provocados pelas suas mãos nas genitais
femininas.
Freud repetiu a dose e a tese. Com
Dora, por exemplo, depois de longa conversa erótica, falando de detalhes
excitantes da conhecida triangulação amorosa de Dora. Na conversa usava
palavras apropriadas para dar tesão. E ainda se orgulhava despudoradamente,
dizendo que o nome do gato é gato, do pênis é pau, etc. Essa masturbação
mental deixou Dora tarada. Quando a excitação de Dora quase atinge o
orgasmo, o observador olimpiano Freud afirma: o beijo de Dora é a prova da
transferência histérica, já que nem médico, nem paciente nada fizeram
para o despertar erótico! Freud quer dizer que Dora não está beijando a ele
e sim reproduzindo o beijo que ela não deu no seu pai, quando ela tinha dois
anos (Freud não levava em conta o fato de que nesta idade o sistema
glandular não suscita sexo). Ou seja, neste caso de transferência a mulher
não pode sentir tesão, mas apenas reproduzir sintomas inconscientes para que
o olimpiano possa emitir diagnósticos conscientes.
Freud aprendeu com Charcot a
levar a paciente ao estado quase de êxtase sexual. Foucault perspicazmente
também percebeu que:
(...)a sexualidade é
efetivamente excitada, suscitada, incitada, titilada de mil maneiras. Freud
não precisou procurar outra coisa além do que vira em Charcot. A sexualidade
estava sob seus olhos, presente, manifestada, organizada(...).[7]
FREUD, CHARCOT, FERNEL COMO
ESPANTADORES DE ELEFANTE: Uma anedota ameniza a explicação de como o
método pode contaminar os resultados, servindo para confirmar o bias,
o referencial de preconceitos do próprio pesquisador. Na sala de espera
situada no último andar de um edifício do centro da cidade, o sujeito estava
lendo uma revista. Cada página lida era rasgada, enrolada e atirada janela
abaixo. Uma moça na sala perguntou:
—
Por que você está fazendo isso?
E o
sujeito:— Estou espantando os elefantes!
A moça: —
Mas aqui não há elefantes.
Então o
sujeito concluiu triunfante:— Lógico, o meu método nunca falha!
Freud, Charcot, Fernel e o Espantador de
Elefantes cometem o mesmo tipo de erro. Como se imaginam imunes, não
conseguiram enxergar que eles próprios provocavam a excitação na mulher
antes para depois usar a excitação produzida por eles como prova da
transferência histérica.
Qual é a solução para o impasse que
acabamos de apresentar?
A solução é uma revolução de paradigma.
Quem conhece Análise Paradigmática está careca de saber que quando o ciclo
vital do paradigma atingiu a sua fase paralisante, nem mesmo descobertas
científicas importantes conseguem produzir avanço naquela área. Porque tais
descobertas são manipuladas e engolidas pelo olho do furacão com técnicas
amplamente conhecidas como camaleão e tapetão, nomes auto-explicativos.
NO INÍCIO ERA O PARADIGMA
MÁGICO: Toda a ciência moderna teve seu
início no paradigma mágico.Como tudo, nesse nosso universo conhecido –
inclusive o sistema solar - paradigma também tem ciclo vital: nasce, cresce,
assume a maturidade, declina, definha, paralisa e finalmente morre,
facilitando a infância e juventude do paradigma emergente.
Pense na seguinte informação da Análise
Paradigmática: A ciência contemporânea já abandonou o paradigma mágico, o
paradigma religioso, o paradigma mecanicista e encontra-se hoje no mínimo no
paradigma sistêmico. Mecanicismo como conjunto de axiomas paradigmáticos não
é usado por nenhum outro ramo do conhecimento. A área PSI (psicologia,
parapsicologia, psicanálise) é a última área usando como paradigma a sucata
cultural mecanicista, paradigma com prazo de validade vencido.
Como as revoluções de paradigma são
inevitáveis, mesmo para aqueles que as ignoram ou as confrontem, a solução
mais inteligente nesse momento é dar o salto histórico para o paradigma
emergente da Noergologia, o qual vem demonstrando ser não apenas exeqüível e
viável, mas sobretudo exigível e inadiável.
PARE DE OLHAR PRA TRÁS. OLHE
PRA FRENTE, OLHE PRA NOERGOLOGIA:
Aproveite a oportunidade dessa informação e venha jogar no time da
Noergologia. Aqui, o axioma do observador deixa de ser olimpiano para
tornar-se holocentrado. E para o observador holocentrado teorias como
resistência e transferência inconscientes tornam-se rigorosamente
incompatíveis. Essa incompatibilidade é dupla: de um lado o profissional
noergologista é incapaz de criar uma dupla tão absurda como essa; e do outro
lado, o sujeito cujo pensamento deixa de ser inconsciente fragmentário para
tornar-se criador e intencional torna duplamente incompatíveis teorias
arcaicas como a citada dupla.
O que a transferência chamava de
reprodução ou fac-símile, para a noergologia é COMPORTAMENTO ORIGINAL
CRIADO AGORA INTERATIVAMENTE. A água que está passando agora debaixo da
ponte não é a mesma que passou ontem. Para a noergologia, o ontem foi, o
amanhã será, apenas vivo agora! O pequeno arquiteto do universo cria
continuamente suas dimensões de realidade. Em Noergologia não há
determinismo, nem energia invasora, portanto não existe transferência, nem
resistência, muito menos inconsciente.
Até o físico já descobriu que altera o que
observa. Só profissionais da PSI não acreditam nisso, preferindo crer que o
Ser Humano é uma fatalista máquina desejante determinista inconsciente
sempiternamente comandada por tração traseira, arrotando transferência e
resistência inconscientemente.
PARA
REFLETIR:
Arthur Koestler:
(...)a psicologia
contemporânea paga um preço elevado por concordar com a doutrina
mecanicista, que representa a negação de cada ramo da psicologia
aplicada(...).[8]
Sartre: A imaginação
não é simples ressurreição, é um estado presente, é criação, é intenção(...).[9]
|